Jogos
VideoGamesCritic: criador de Ori lança rival do Metacritic com nova fórmula
Thomas Mahler, criador de Ori e do No Rest for the Wicked, acaba de lançar o VideoGamesCritic, um site agregador de notas que quer disputar espaço com o Metacritic e o OpenCritic. A proposta é diferente: as avaliações da imprensa valem apenas um terço da nota final, enquanto os outros dois terços vêm dos jogadores no Steam.
Se você já discordou de uma nota de crítico e ficou do lado dos jogadores, esse projeto foi feito com você em mente. Mas o que parece simples esconde uma metodologia bem mais complexa, e um contexto que levanta perguntas importantes.
Como o VideoGamesCritic calcula as notas
O site importa as notas da crítica diretamente do OpenCritic e combina com os dados do Steam usando filtros próprios. Avaliações de quem jogou menos de duas horas têm peso reduzido, e esse peso cresce progressivamente até a marca de dez horas.
O sistema também usa a ferramenta antimanipulação do próprio Steam para tentar excluir review bombing e ainda penaliza avaliações feitas por quem ativou o jogo via Steam key. A ideia é garantir que quem está avaliando de verdade tenha voz maior do que quem ganhou o jogo de graça.
Outro ponto que chama atenção: o VideoGamesCritic dá mais peso para avaliações recentes. Isso resolve um problema real, como o caso de No Man’s Sky, cujo Metascore ainda carrega as cicatrizes do lançamento desastroso de 2016, ignorando dez anos de atualizações que transformaram completamente o jogo.
O sistema que avalia os próprios críticos
Talvez a parte mais polêmica do site seja a pontuação de confiança atribuída a cada veículo de imprensa. A plataforma analisa se as recomendações de um portal historicamente se alinham com a percepção dos jogadores, e gera um índice de confiança baseado nisso.
A fórmula considera a precisão das recomendações, o alinhamento com a opinião geral dos jogadores e o posicionamento do veículo nos casos em que crítica e público divergiram muito. Até portais que não dão notas numéricas, como o Kotaku, recebem uma pontuação seguindo um modelo parecido com o do Rotten Tomatoes.
Por que esse projeto merece ceticismo, mesmo sendo interessante
Na prática, a iniciativa tem mais camadas do que parece. Mahler não é exatamente uma figura neutra nesse debate: no ano passado, ele afirmou que um suposto review bombing no Steam estava colocando em risco a sobrevivência da Moon Studios por conta de No Rest for the Wicked, e também acusou veículos de imprensa de distorcerem suas declarações.
O que chama atenção aqui é que o criador de um jogo que sofreu críticas de jogadores e da imprensa está agora lançando uma plataforma que reduz o peso dos críticos e monitora a ‘confiabilidade’ dos veículos. Pode ser uma solução genuína para um problema real, mas o conflito de interesses é difícil de ignorar.
Vale lembrar que avaliações do Steam também têm problemas sérios: são abertas a manipulação, refletem percepções de comunidades específicas e nem sempre representam a experiência da maioria dos jogadores. A fórmula do VideoGamesCritic tenta endereçar isso, mas depende de dados que vêm de uma única plataforma, o que por si só já é uma limitação considerável.