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Wardogs prioriza influenciadores e irrita quem pagou pelo jogo

John Andrade
12/09/2026
Wardogs prioriza influenciadores e irrita quem pagou pelo jogo

O lançamento de Wardogs no acesso antecipado do Steam foi grande demais para a própria infraestrutura da Bulkhead. O novo FPS tático atraiu mais de 340 mil jogadores simultâneos no primeiro dia, derrubou servidores, gerou filas absurdas e ainda protagonizou uma polêmica extra: influenciadores tinham acesso prioritário enquanto quem pagou pelo jogo esperava na fila. O resultado foi uma enxurrada de avaliações negativas e uma comunidade bem irritada.

Se você está acompanhando o caso, sabe que a situação foi além de um simples problema técnico. A decisão da Bulkhead de colocar criadores de conteúdo na frente dos jogadores comuns jogou lenha na fogueira e transformou o que poderia ser só um contratempo em uma polêmica de verdade.

Wardogs travou servidores com 340 mil jogadores simultâneos

Lançado em 10 de setembro em acesso antecipado, Wardogs chegou ao Steam com números impressionantes. Segundo o SteamDB, o pico de jogadores simultâneos ultrapassou 340 mil no primeiro dia completo, e o jogo chegou a ocupar a primeira posição entre os mais vendidos da plataforma.

O número surpreende especialmente porque a Bulkhead esperava algo em torno de 5 mil jogadores simultâneos durante os testes fechados. Mesmo depois do beta, quando mais de 200 mil pessoas se conectaram ao mesmo tempo, o estúdio aparentemente não estava preparado para o volume real do lançamento.

O resultado foi caótico: filas com dezenas e até centenas de milhares de pessoas, erros de autenticação no final da espera e jogadores sendo mandados de volta para o começo da fila. Um dos relatos mais populares no Steam descreve uma sequência de filas de 8 mil, 48 mil e 128 mil usuários, tudo sem conseguir entrar no jogo.

Influenciadores na frente: a decisão que piorou tudo

As filas já seriam suficientes para gerar reclamações, mas a situação escalou quando jogadores perceberam que alguns streamers acessavam o jogo sem dificuldade. Joe Brammer, CEO da Bulkhead, confirmou que 11 influenciadores estavam em uma lista de prioridade de acesso aos servidores.

Segundo Brammer, esses criadores somavam mais de 300 mil espectadores durante os problemas, e a lógica era permitir que o público ao menos assistisse alguém jogando enquanto esperava. O CEO reconheceu que parte da comunidade poderia discordar da decisão, mas defendeu a escolha como estratégica para uma empresa de entretenimento.

A justificativa não colou para muita gente. A crítica mais recorrente é direta: Wardogs é um jogo pago, vendido a R$ 119,99, e quem desembolsou esse valor deveria ter as mesmas condições de acesso que qualquer outra pessoa, independente do tamanho do canal no Twitch.

Por que essa polêmica vai além do lançamento ruim

Problemas de servidor em lançamentos grandes não são novidade. Ocorreu com Diablo IV, com Elden Ring e com vários outros títulos que explodiram de popularidade. O que diferencia o caso de Wardogs é a camada extra de decisão consciente por parte do estúdio.

Na prática, isso significa que a Bulkhead não apenas falhou na infraestrutura, mas escolheu ativamente quem teria prioridade quando os recursos eram escassos. E essa escolha foi a favor de quem geraria visibilidade para o jogo, não de quem já havia pago por ele. Vale lembrar que, em um acesso antecipado pago, o jogador comum já está contribuindo financeiramente com o desenvolvimento, não é apenas um espectador passivo.

O que chama atenção aqui é que a transparência de Brammer, ao assumir a responsabilidade publicamente, ajudou a conter parte da crise. Mas a decisão de criar uma lista de prioridade para influenciadores dificilmente vai desaparecer da memória da comunidade, especialmente se problemas de servidor voltarem durante o acesso antecipado.

Avaliações no Steam ficam em ‘Neutras’

Com cerca de 26,6 mil avaliações registradas no SteamDB, Wardogs tem aproximadamente 18 mil positivas e 8,5 mil negativas, o que mantém a classificação geral como ‘Neutra’, com cerca de 66,9% de aprovação.

O caso é interessante porque parte das avaliações negativas não critica o jogo em si, mas a incapacidade de acessá-lo após a compra. Isso coloca em questão se a classificação atual reflete a qualidade de Wardogs ou apenas o caos do lançamento.

Horas depois da abertura dos servidores, Brammer informou que a fila havia chegado a zero. A situação se normalizou rapidamente, mas o estrago na reputação do lançamento já estava feito.

Você acha que dar fila preferencial a influenciadores em um jogo pago foi uma jogada inteligente ou um erro da Bulkhead?