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Criador de Thief recusou Xbox e comparou risco a ‘crânios em estacas’

John Andrade
22/09/2026
Criador de Thief recusou Xbox e comparou risco a ‘crânios em estacas’

Randy Smith Evergreen, designer veterano por trás da série Thief, recusou uma oferta para trabalhar em um estúdio financiado pela Xbox no momento em que mais precisava de dinheiro. A justificativa foi direta: para ele, aceitar aquele convite seria ignorar sinais de perigo óbvios, como passar por estacas com crânios e fingir que o caminho é seguro.

A história mistura pressão financeira, histórico preocupante da Microsoft com estúdios e uma aposta indie que, no fim, deu certo. Vale a pena entender por que essa recusa diz muito sobre o mercado atual.

Por que Randy Smith Evergreen recusou a Xbox no pior momento

Smith Evergreen estava há meses tentando vender a publishers a ideia de um RPG não-violento inspirado nos valores da Looking Glass, estúdio onde trabalhou nos anos 90. A recepção era sempre a mesma: elogios ao legado dele em Thief e nenhum financiamento.

Foi nesse contexto que chegou a oferta ligada à Xbox. Ele estava no fundo do poço, pensando em mudar de área para sustentar a família. Mesmo assim, recusou. Segundo ele, o histórico da Microsoft de fechar estúdios adquiridos pesou muito na decisão, especialmente o caso da Arkane Austin.

A Arkane Austin foi responsável por Dishonored e Prey, dois dos jogos que mais carregaram o DNA de Thief nas últimas décadas. Smith Evergreen tem amigos que fundaram e trabalharam lá. Ver aquele estúdio ser fechado pela Microsoft poucos anos após a aquisição foi, para ele, um aviso claro o suficiente para não ignorar.

O que a decisão de Smith Evergreen revela sobre o cenário atual

Na prática, a recusa dele não é só uma história pessoal: é um reflexo de como muitos desenvolvedores veteranos encaram a Microsoft hoje. O fechamento da Arkane Austin, da Tango Gameworks e de outros estúdios criou um clima de desconfiança que vai além do discurso público.

O que chama atenção aqui é que Smith Evergreen não estava em posição confortável para recusar nada. Mesmo assim, avaliou que o risco reputacional e profissional de entrar em um estúdio ligado à Xbox superava a estabilidade financeira de curto prazo. Isso diz bastante sobre o nível de confiança que a Microsoft conseguiu destruir com suas decisões recentes.

Vale lembrar que a Arkane Austin tinha talentos reconhecidos e um histórico sólido. O fracasso de Redfall, segundo Smith Evergreen, não foi por falta de capacidade do estúdio. E mesmo assim, o estúdio foi dissolvido. Para quem trabalha na área, esse tipo de desfecho funciona como um alerta real.

O novo estúdio indie e o jogo ainda sem nome

A aposta de Smith Evergreen valeu a pena. Ele fundou um estúdio indie e conseguiu financiamento para um projeto ainda não anunciado, que evoluiu a partir da ideia original do RPG não-violento.

O escopo foi reduzido e algumas mecânicas foram adaptadas por sugestão de quem financiou o projeto. Mas segundo ele, o conceito central sobreviveu ao processo, e a equipe está animada com o resultado. Nenhuma data ou título foi revelado até agora.

Thief: Deadly Shadows e a pressão por mais violência

Na mesma conversa, Smith Evergreen relembrou um capítulo tenso da própria carreira: o desenvolvimento de Thief: Deadly Shadows, lançado em 2004. Segundo ele, a Eidos pressionou o time para tornar o jogo mais violento do que a equipe queria.

Ele reconhece que suas preferências pessoais podiam pender tanto para o stealth que o jogo ficaria inacessível para um público mais amplo. Mas também admite que a publisher foi além do feedback e acabou tomando controle criativo em alguns pontos. O próprio subtítulo foi imposto: a Eidos queria enfatizar o lado do assassinato, o que não agradou o time.

Sobre um possível retorno à franquia, ele é claro: preferiria um projeto pequeno e focado, sem os anos de produção e o peso de um reboot de orçamento massivo. Enquanto isso, a Nightdive está trabalhando em um remaster de Thief: The Dark Project, e Smith Evergreen disse estar animado com a possibilidade de jogar a obra como se fosse algo novo.

Você teria feito a mesma escolha que Smith Evergreen? Compartilha esse texto com aquele amigo que ainda acha que a Microsoft cuida bem dos estúdios que compra.