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Star Wars: Galactic Racer é o jogo de corrida que a franquia merecia
Star Wars: Galactic Racer chegou sem muito barulho, mas entregou algo que poucos jogos de corrida conseguem: uma campanha que você realmente quer terminar. O jogo mistura velocidade arcade com estrutura roguelike e narrativa dentro do universo de Star Wars, transformando cada corrida em uma decisão de risco e recompensa que vai muito além de cruzar a linha de chegada em primeiro.
Se você acha que jogos de corrida com licença de franquia costumam ser experiências genéricas, Star Wars: Galactic Racer veio para mudar essa ideia, e ele faz isso de um jeito que poucos esperavam.
A campanha roguelike que ninguém pediu, mas todo mundo precisava
Você assume o papel de Shade, um piloto misterioso que entra na Liga Galáctica para derrubar o campeão dominante, Kestar Bool. A estrutura da campanha funciona como um roguelike: você começa com um League Token e, se o perder por destruir o veículo cinco vezes, ser eliminado em eventos específicos ou perder a corrida decisiva, o torneio acaba e você recomeça.
O que salva essa estrutura de ser punitiva demais é a divisão em atos que funcionam como checkpoints. Ser eliminado no segundo ato não te manda de volta ao primeiro. Cada ato traz novos torneios com bifurcações de eventos no estilo roguelike, onde você escolhe entre risco maior ou recompensa mais segura a todo momento.
Os eventos especiais marcados com ‘?’ são o ponto alto: neles, outros personagens aparecem com propostas e escolhas que vão além da pista, como investir dinheiro em peças raras com retorno futuro incerto. É o tipo de decisão que faz você parar e pensar antes de acelerar.
Pilotagem que convence nos primeiros segundos
Pelos trailers, dava pra imaginar que controlar esses veículos seria um pesadelo. Na prática, os controles são tão responsivos que o domínio básico chega em poucas corridas. A pilotagem equilibra adrenalina, reflexo e estratégia de forma natural, criando momentos que parecem saídos de uma cena de cinema.
O sistema de turbo tem duas camadas: o turbo de combustão, usado com frequência para recuperar velocidade após curvas, e o Ramjet, carregado durante a corrida e ativado para os momentos de aceleração máxima. Gerenciar esses recursos junto com as habilidades do veículo, que variam entre escudos e ondas de choque, é o coração da jogabilidade.
As pistas merecem menção especial. Elas são largas, extensas e oferecem caminhos alternativos mais curtos por passagens estreitas, com curvas mais fechadas e risco maior de colisão. O design conduz naturalmente o olhar sem precisar de setas gigantes na tela, o que é uma escolha elegante e rara no gênero.
O que o jogo acerta e onde tropeça depois dos créditos
Existe um porém real nessa história. A campanha é tão bem construída que terminar ela pela primeira vez é genuinamente satisfatório. O problema aparece quando você quer repetir a experiência.
O jogo oferece apenas a opção de rejogar o último ato ou recomeçar do zero. O último ato inclui segmentos de podracing que funcionam mais como sequências narrativas do que como corridas de verdade, e eles se repetem sem novas ramificações. Recomeçar do início te joga no primeiro ato, que é justamente o mais limitado e ainda não conta com sistemas como patrocínio e rivalidades. O ponto ideal seria o segundo ato, mas para ficar nele você precisaria perder propositalmente a última prova, o que é uma solução gambiarra para um problema que o jogo deveria resolver sozinho.
Para quem está no Brasil: o jogo está disponível para PS5, Xbox Series X/S e PC. Não há confirmação de versão física nacional até o momento, então a compra digital é o caminho mais direto. O preço na Steam e nas lojas de console gira em torno de R$ 200 a R$ 250, uma faixa que faz sentido para o que o pacote entrega, mas que ainda é um investimento considerável dependendo do seu orçamento.

Multiplayer e extras que estendem a vida útil
O modo Torneio online para até 12 jogadores é o destaque fora da campanha. Antes de cada rodada, você aposta em que posição vai terminar, e na última corrida escolhe quem vai vencer o torneio geral. Se sua colocação estiver ruim, pode ser necessário torcer contra si mesmo e apostar em outro piloto para ganhar mais XP, o que cria uma tensão estratégica interessante.
O modo Arcade traz 50 provas com objetivos de medalha, algumas bastante exigentes para quem quer o Ouro. Os Cenários permitem correr com outros personagens do elenco em sequências curtas. São conteúdos que ajudam a manter o jogo relevante depois da campanha, mas não chegam a substituir a falta de rejogabilidade estruturada da história principal.
No PS5, o desempenho foi sólido durante toda a experiência, sem quedas de frame perceptíveis mesmo nas corridas mais movimentadas, o que é fundamental num jogo que depende tanto da velocidade constante na tela.