Vazamentos
Elden Ring no centro de guerra corporativa que pode derrubar o CEO da Kadokawa
Elden Ring vendeu mais de 30 milhões de cópias e ganhou o jogo do ano. Mas, paradoxalmente, esse sucesso estrondoso virou argumento para tirar o CEO da Kadokawa, empresa-mãe da FromSoftware, do cargo. Se você acha que o mundo corporativo dos games é menos dramático que qualquer RPG, esse caso vai te fazer repensar.
A disputa estourou na reunião anual de investidores da Kadokawa e coloca em lados opostos a liderança atual da empresa e um grupo de acionistas ativistas que já detém quase 14% das ações. O que parecia uma briga interna virou notícia global, e Elden Ring está bem no meio do fogo cruzado.
Quem está pressionando e o que querem
A Oasis Management, gestora de investimentos sediada em Hong Kong, acumulou 13,76% das ações da Kadokawa e se tornou a maior acionista individual da companhia. Com esse peso, o grupo passou a exigir a saída do CEO Takeshi Natsuno, apontando o que chama de má gestão dos lucros gerados por Elden Ring.
O argumento central é que a divisão de publicação do jogo teria desperdiçado uma oportunidade gigantesca. A FromSoftware cuidou do lançamento no Japão, enquanto a Bandai Namco ficou com a distribuição internacional. Para a Oasis, esse arranjo fez a Kadokawa deixar dinheiro na mesa em vez de capturar uma fatia maior dos resultados globais do título.
Os números que alimentam a crise
Os dados financeiros da Kadokawa ajudam a entender por que a pressão ganhou força. Em 2025, o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa caiu para apenas 0,5%, contra 9,4% registrados em 2022, justamente o ano de lançamento de Elden Ring. A queda é difícil de ignorar.
Além disso, a companhia enfrentou um vazamento de dados em 2024 e foi investigada por supostas irregularidades nas condições de trabalho de freelancers, como contratos sem termos escritos e atrasos em pagamentos. O cenário deu ainda mais munição aos críticos.
Natsuno ainda tem apoio, mas o cerco aperta
Do lado do CEO, a defesa é baseada em estabilidade. Seus apoiadores no conselho argumentam que trocar a liderança em um momento de reformas internas poderia piorar a situação da empresa. E há um dado relevante a favor de Natsuno: na última reunião anual, ele saiu com 90% de aprovação entre os acionistas presentes.
Mesmo assim, a pressão cresceu. A Institutional Shareholder Services, um dos grupos de consultoria de voto mais influentes do mercado, se posicionou ao lado dos ativistas, defendendo a troca de liderança mesmo que o processo leve tempo. A batalha está longe do fim, e o desfecho pode redefinir os rumos da Kadokawa e, consequentemente, da FromSoftware.