Indie
Ritual Tides: o horror psicológico indie que pode assustar até Silent Hill
Um estúdio indie com um ex-desenvolvedor de GTA 5 e Red Dead Redemption 2 no comando está criando um dos survival horrors mais promissores dos últimos tempos. Ritual Tides, da Vertpaint, apareceu na Gamescom ainda em fase de design de nível e mesmo assim já conquistou quem acompanha o gênero.
O jogo mistura a atmosfera pesada de Silent Hill com mecânicas que fogem dos clichês mais batidos do survival horror moderno. Se você curte horror de verdade, esse é o tipo de projeto que merece atenção desde agora.
O que é Ritual Tides e de onde veio essa ideia
O jogo se passa em Hortus, uma cidade costeira fictícia coberta de névoa e com uma atmosfera visivelmente inspirada em Silent Hill. A protagonista acorda em uma praia sem memórias e vai descobrindo, aos poucos, a história sombria de uma ilha misteriosa e o que essa história significa especificamente para uma mulher.
A ideia surgiu de uma experiência pessoal de James Macleod, diretor criativo e CEO da Vertpaint. Segundo ele, uma conversa com uma de suas irmãs, voltando de um bar, o fez perceber como a sensação de perigo no espaço urbano é radicalmente diferente dependendo de quem você é. A partir disso, o projeto nasceu como uma exploração do que horror e segurança significam para pessoas diferentes.
Encontrar um publisher para o jogo, segundo Macleod, tem sido difícil porque o tema é considerado sombrio demais pelo mercado.
As criaturas que já deixam a pele arrepiada
Agnes é uma das principais criações do bestiário do jogo. A descrição é perturbadora: uma espécie de centopeia humanoide, carnuda, com a extremidade traseira rompida, evocando o famoso monstro bebê de Resident Evil Village. O resultado visual é visceral e acerta em cheio no tipo de desconforto que bons jogos de horror sabem criar.
No trecho jogável apresentado na Gamescom, outro inimigo apareceu: um inseto grotesco que mistura o facehugger de Alien com um escorpião. O combate foi desenhado para ser pesado e desajeitado de forma intencional, reforçando que a protagonista não é uma soldada treinada. Na maioria das situações, fugir é a opção mais inteligente.
Mecânicas que resolvem problemas que outros jogos ignoram
Ritual Tides combina a câmera em primeira pessoa de Resident Evil 7 e Village com referências visuais de Silent Hill, mas traz soluções próprias para problemas clássicos do gênero. O HUD é esparso, as armas têm durabilidade e o sistema de escalada exige que o jogador use os gatilhos para controlar cada ponto de apoio, transformando cada subida em um momento de tensão.
O jogo também resolve a polêmica da tinta amarela, recurso usado em muitos jogos modernos para indicar onde o jogador pode escalar, e que é amplamente criticado por quebrar a imersão. Em Ritual Tides, resíduos de sal marinho marcam naturalmente as pedras escaláveis, mantendo a lógica do mundo intacta. As texturas fotorrealistas completam um cenário com atenção rara ao detalhe.
Por que Ritual Tides pode ser maior do que parece agora
O que chama atenção aqui é o contexto em que esse jogo surge. O gênero survival horror está em um momento de renovação: Resident Evil virou quase um jogo de ação, e Silent Hill retornou com resultados divididos. Há espaço real para um novo nome ocupar o lugar de referência em horror psicológico denso e perturbador.
Na prática, isso significa que Ritual Tides chega num momento perfeito. Um estúdio indie com bagagem técnica de produções AAA, uma proposta temática diferente do que o mercado costuma aceitar e mecânicas pensadas para reforçar imersão em vez de confortar o jogador. Vale lembrar que jogos assim, quando acertam, definem gerações. E essa build inicial, ainda longe da versão final, já mostrou que a Vertpaint sabe o que está fazendo.
O jogo ainda não tem data de lançamento confirmada e está previsto para PC, PS5 e Xbox Series X.