Hardware
Steam Machine caro? Valve explica por que não vai subsidiar o preço
O Steam Machine chegou com preço acima de US$1.000 e muita gente levantou a sobrancelha. Afinal, Sony, Microsoft e Nintendo têm décadas de história vendendo hardware abaixo do custo para conquistar espaço na sala de estar. Então por que a Valve não faz o mesmo?
A resposta foi dada diretamente pela própria empresa, e vai além de uma simples decisão financeira. Se você quer entender a lógica por trás do preço salgado, continua aqui.
Sistemas abertos como princípio, não como slogan
Em comunicado oficial, a Valve deixou claro que subsidiar hardware vai contra o que a empresa acredita. Segundo a companhia, a prática de vender dispositivos abaixo do custo está diretamente ligada à criação de ecossistemas fechados, onde o usuário perde a liberdade de escolha. Para a Valve, essa não é uma troca aceitável.
A empresa afirma que sua crença em sistemas abertos é algo central, quase irredutível, dentro da cultura interna. E que tanto a Valve quanto os consumidores saem ganhando quando essa abertura é preservada no longo prazo.
Subsídio de hardware e exclusividade andam juntos, segundo a Valve
A Valve também deixou no ar uma crítica às práticas da concorrência. Sem citar nomes, a empresa argumenta que vender hardware barato para ganhar mercado quase sempre vem acompanhado de conteúdo exclusivo e restrições de software. O objetivo, segundo a Valve, é prender o usuário dentro de um sistema onde ele não escolhe livremente o que quer usar.
É uma visão diferente do modelo tradicional de console, onde o fabricante banca parte do custo do hardware para garantir uma base de usuários e monetiza via jogos e assinaturas.
Mas o Steam também não prende o usuário na própria loja?
Essa pergunta surgiu durante entrevista com a equipe da Valve, e o designer de interface Lawrence Yang respondeu diretamente. Segundo Yang, a diferença está no hardware: o Steam Deck e o Steam Machine permitem que o usuário instale o Windows, use outras lojas de jogos e customize o sistema como quiser. Para a Valve, não travar o hardware é o que separa sua proposta do modelo que critica.
É um argumento que não agrada a todo mundo, mas que pelo menos tem consistência com o histórico da empresa no suporte ao Linux e à abertura do SteamOS.