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Saber Interactive diz que é ótimo criar games agora, mas os dados contradizem

John Andrade
08/09/2026
Saber Interactive diz que é ótimo criar games agora, mas os dados contradizem

Em meio a uma das fases mais difíceis da história recente da indústria de games, com demissões em massa e hardware cada vez mais caro, o CCO da Saber Interactive, Tim Willits, resolveu nadar contra a corrente. Em entrevista ao PC Gamer, ele defendeu que este é, na verdade, um ótimo momento para criar jogos, e apoiou o argumento na democratização das plataformas disponíveis hoje.

O problema é que os dados da indústria não parecem muito de acordo com esse otimismo. E entender essa contradição diz muito sobre o momento em que a gente está vivendo.

O argumento de Willits: celular, Fortnite e acessibilidade

A lógica central do executivo é simples: as barreiras para publicar um jogo nunca foram tão baixas. Mesmo com RAM e GPUs nas alturas por causa da corrida da IA, Willits aponta que o smartphone já no bolso de qualquer pessoa é plataforma suficiente para começar. Para ele, dá para lançar algo no celular, em plataformas independentes ou até dentro do ecossistema do Fortnite, sem precisar de um orçamento gigantesco.

Willits também reconheceu que o onde os jogos são feitos pode estar mudando, numa provável referência à ascensão da China no desenvolvimento de games, mas manteve o tom positivo sobre as possibilidades abertas para devs independentes com boas ideias.

O conselho para quem foi demitido

Quando confrontado com a questão das dezenas de milhares de profissionais que perderam o emprego nos últimos anos, Willits reconheceu a tristeza do cenário. Mas, na prática, o conselho dele foi: reúna alguns amigos e comece a trabalhar em algo.

Segundo o executivo, as ferramentas disponíveis hoje tornam isso possível sem um esforço ou orçamento gigantesco. Ele também acredita que quem prefere trabalhar em projetos maiores vai ser reabsorvido pelo mercado em breve, citando que empresas do mundo inteiro estão de olho nos talentos que ficaram disponíveis.

Por que o otimismo de Willits tem um problema sério

O discurso animador soa bem, mas vale confrontar com o que os números dizem. O GDC 2026 State of the Game Industry Report aponta que um terço dos trabalhadores da indústria de games nos Estados Unidos foi demitido nos últimos dois anos, e que quase metade deles ainda não conseguiu se recolocar na área.

As empresas com maior capacidade de reabsorver esses profissionais, como Microsoft, EA, Ubisoft e a antiga controladora da própria Saber, a Embracer, seguiram no caminho contrário: cortando ainda mais funcionários. O que chama atenção aqui é que o argumento de Willits funciona bem para quem quer empreender, mas ignora a realidade de quem precisa de emprego formal, salário estável e benefícios para sobreviver.

Casos como Balatro e Vampire Survivors mostram que o sucesso indie é real. Mas eles são exceções numa paisagem onde a maioria dos projetos independentes não chega nem a recuperar o investimento de tempo dos desenvolvedores. Na prática, dizer ‘faça um jogo no celular’ para quem acabou de perder o emprego é um conselho que funciona para poucos, mesmo que seja honesto em intenção.

Você concorda com Willits? Esse otimismo faz sentido ou soa distante da realidade de quem está na indústria?