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The Elder Scrolls 6 foi jogado de lado por Starfield
Se você está esperando por The Elder Scrolls 6 desde o anúncio na E3 2018, saiba que nem os próprios funcionários da Bethesda entenderam muito bem o que aconteceu. Kurt Kuhlmann, veterano do estúdio desde 1996 e um dos responsáveis por Oblivion e Skyrim, revelou em entrevista recente que a decisão de priorizar Starfield em vez de TES6 pegou quase todo mundo de surpresa por lá.
A história por trás do maior sumiço dos games tem mais camadas do que parece, e pelo menos uma delas envolve uma decisão que boa parte do estúdio não queria.
The Elder Scrolls 6 era o plano, até não ser mais
Segundo Kuhlmann, a expectativa interna depois de Fallout 4 era clara: o próximo passo seria The Elder Scrolls 6. Era o que a Bethesda fazia, era o que as pessoas esperavam. Então vieram Fallout 76, que já desviou parte do estúdio, e logo depois a bomba: Todd Howard anunciou que o próximo projeto seria Starfield, uma nova IP de ficção científica aprovada junto aos executivos da ZeniMax.
Kuhlmann foi direto ao dizer que a vontade de fazer um jogo espacial não partiu do time. A decisão veio de cima, com Howard usando o capital conquistado pelo sucesso de Fallout 4 para convencer a cúpula da empresa. O veterano deixou a Bethesda em 2023 depois de ser recusado em um papel de liderança justamente em TES6, o projeto que, segundo ele, a maioria do estúdio queria fazer.

Starfield não entregou o que prometia
Starfield chegou ao mercado em 2023 como o maior RPG espacial já feito, nas palavras do próprio Howard. O resultado foi outro. A crítica apontou ambientação genérica, planetas procedurais com pouco conteúdo real e uma experiência que não conseguiu criar o mesmo vínculo emocional de Skyrim ou Fallout 4.
O jogo ainda foi lançado no mesmo ano de Baldur’s Gate 3, ficou de fora do The Game Awards e acumulou avaliações negativas no Steam. Não é exatamente o legado que justificaria abrir mão de uma das franquias mais amadas dos games.
O que isso diz sobre a Bethesda hoje, e sobre TES6
Na prática, o que essa história revela é um estúdio onde decisões criativas importantes ficaram concentradas em uma única voz. Dennis Mejillones, ex-artista de personagens da Bethesda, chegou a comparar Howard a George Lucas, dizendo que muita gente tinha receio de discordar dele, e que isso acabou sendo prejudicial.
Vale lembrar que a Bethesda hoje opera sob a Microsoft, e o contexto mudou bastante desde a época do Starfield. O que chama atenção aqui é que, mesmo com toda essa pressão interna em favor de TES6, o jogo segue sem nenhuma data ou informação concreta sobre seu desenvolvimento. Se a lição do Starfield foi aprendida, ela ainda não se traduziu em nada público.
Para quem espera por TES6, a situação é simples e frustrante: o jogo existe como anúncio há quase oito anos, e o único consenso real é que o estúdio que deveria tê-lo feito primeiro escolheu outro caminho.