Jogos
AC Black Flag Resynced foi reconstruído do zero
Assassin’s Creed Black Flag Resynced pode parecer familiar para quem jogou o original em 2013, mas por baixo dos gráficos renovados e dos belos mares, o que existe é praticamente um jogo novo. O diretor Richard Knight revelou em entrevista ao canal JorRaptor que a equipe precisou reconstruir a maior parte do game do zero, porque o código original simplesmente não tinha condições de ser aproveitado em 2026.
Por que o código original não pôde ser usado
Knight foi direto ao explicar o problema: “Não podemos usar o código original. Quer dizer, é interessante pensar nisso, mas em que plataforma ele foi construído? Windows 2000? Faz muito, muito tempo. Não que seja ruim, mas a base de código e a tecnologia são tão completamente diferentes que usamos o original como referência.”
Em termos práticos, o que a equipe fez foi usar o Black Flag de 2013 como documento de design, e não como base técnica. Os desenvolvedores mergulharam no código antigo para entender como os sistemas funcionavam, analisar os dados e descobrir os detalhes de implementação que nem sempre estão documentados em qualquer lugar.
“Às vezes, podemos usar algum recurso como modelo para as novas funcionalidades. Mas, na maioria das vezes, analisamos o código para entender como as coisas funcionam, para examinar os dados, para ver como certas coisas funcionavam, para aprender alguns segredos. Mas, na prática, temos que reconstruir tudo.”
O que isso significa para o resultado final
A conclusão natural é que o esforço por trás do Resynced é muito maior do que um remake típico normalmente exigiria. Mesmo nos sistemas que permaneceram conceitualmente idênticos ao original, a equipe não pôde simplesmente adaptar o que existia. Tudo teve que ser refeito.
Knight reconhece que isso criou um desafio enorme, mas também abriu espaço para algo que projetos mais convencionais não permitem.
“Reconstruímos muitos sistemas neste jogo, em parte para sermos a melhor versão possível do que era antes, mas também porque precisávamos. Então, quando você começa do zero, isso às vezes te dá a possibilidade de fazer mudanças.”
É por isso que o Resynced consegue ir além do visual. O combate foi reformulado, o conteúdo narrativo ganhou adições inéditas e vários sistemas foram repensados desde a base, não porque a Ubisoft quis reinventar o jogo, mas porque não havia outro caminho.
E as DLCs? Freedom Cry pode voltar?
Knight também confirmou que a equipe já tem ideias para DLCs, mas deixou a questão do retorno de Freedom Cry em aberto. “É definitivamente um jogo do qual nos lembramos”, disse o diretor, sem confirmar ou descartar a possibilidade de ver Adéwalé de volta.
Para os fãs que consideram Freedom Cry um dos melhores conteúdos extras já lançados para a franquia, a resposta é animadora o suficiente para alimentar a esperança.
Esse é o remake mais trabalhoso da história da Ubisoft?
Black Flag Resynced já vendeu mais de 3 milhões de cópias desde o lançamento, um número que valida a aposta da Ubisoft num momento em que a empresa precisava de um acerto comercial claro. Saber que o projeto envolveu essencialmente construir um jogo novo do zero torna esse resultado ainda mais significativo.
A próxima vez que alguém disser que remake é “trabalho fácil”, vale lembrar dessa história.