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Xbox: demissões reais são muito maiores do que os 3.200 anunciados
O Xbox anunciou o corte de 3.200 empregos até julho de 2027, o maior da história da indústria de games. Mas, segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, esse número está longe de representar o impacto real das demissões em andamento.
O que está acontecendo nos bastidores é mais grave do que parece, e envolve estúdios parceiros, contratos cancelados e acordos de silêncio que impedem os afetados de contar o que viveram. Se você acompanha o cenário do Xbox, prepare-se para entender o tamanho real desse estrago.
Os cortes ocultos que a Microsoft não contabiliza
Além dos funcionários diretos da Microsoft, há uma série de estúdios contratados e parceiros de codesenvolvimento que também foram atingidos pelos cancelamentos recentes. Esses profissionais não entram nas estatísticas oficiais divulgadas pela empresa.
O caso mais emblemático envolve o reboot de Perfect Dark. O jogo não estava sendo desenvolvido apenas pela The Initiative e pela Crystal Dynamics. Outros estúdios, incluindo a Eidos Montréal, também tinham equipes alocadas no projeto. Com o cancelamento, todos foram afetados.
A situação desses profissionais é ainda mais delicada porque muitos assinaram NDAs, acordos de não divulgação, e não podem sequer mencionar o projeto no currículo ou no portfólio. Diferente dos funcionários diretos da Microsoft, que ao menos podem citar sua passagem por um grande estúdio, esses trabalhadores ficam sem poder contar nada sobre o que fizeram.
Obsidian e o efeito dominó dos cancelamentos
O mesmo padrão deve se repetir com jogos cancelados pela Obsidian Entertainment, incluindo um título de Shadowrun que circula em rumores no setor. Pelo menos um dos projetos descartados pelo estúdio também estava sendo desenvolvido com parceiros externos.
Com o cancelamento, esses parceiros perderam o contrato, ficaram sem receita e tiveram que demitir seus próprios funcionários. E esses funcionários, mais uma vez, não podem falar publicamente sobre o projeto em que trabalhavam.
Corte de 50% com parceiros externos ainda vai piorar o cenário
Além dos cancelamentos de jogos, a CEO do Xbox, Asha Sharma, anunciou publicamente a redução de 50% nos gastos com parceiros externos. Na prática, isso significa mais cortes em empresas de fora que atuavam próximas ao Xbox, potencialmente em áreas como marketing e relações públicas.
Segundo Schreier, quando se soma tudo isso, o custo humano real dessa reestruturação chega a muitos milhares de empregos. Um número que provavelmente nunca será contabilizado com precisão, já que boa parte das demissões acontece fora da Microsoft e sem nenhuma obrigação de divulgação pública.